Dia do Turismo: a viagem fica completa quando se prova a gastronomia local

Por Lalá Ruiz

Na primeira viagem que fiz ao exterior, boa parte da minha alimentação foi à base de sanduíches de fast food, guloseimas e comidas processadas compradas em supermercados. Em parte pela questão econômica, em parte pela falta de informação. Foi uma viagem em duas etapas, tendo como primeiro destino Londres, na Inglaterra, uma cidade cara que, na época, ostentava uma péssima reputação no quesito gastronomia.

Isso foi em 1998, e hoje é sabido que a capital britânica é um importante polo gastronômico. No longínquo século passado, os poucos guias de viagem publicados no Brasil traziam poucas indicações de restaurantes, alguns deles proibitivos para o bolso. Fiquei 13 dias em Londres, um dos locais mais interessantes e pulsantes que já conheci, mas visitei apenas dois restaurantes, coincidentemente, ambos ligados a uma das minhas paixões: o bom o velho rock and roll.

O primeiro foi o Sticky Fingers Cafe, de propriedade do ex-baixista dos Rolling Stones, Bill Wyman, que por acaso ficava localizado bem próximo ao hostel onde estava hospedada. Foi lá, em meio à memorabilia relativa aos anos de Wyman nos Stones, que experimentei pela primeira vez um hambúrguer de cordeiro. Também foi lá que tomei minha primeira Guinness.

O segundo foi o Hard Rock Cafe. Meu pedido não foi nada original. Um hambúrguer acompanhado de cerveja me bastaram. Porém, me deliciei com o acervo exposto nas paredes do restaurante, o que incluía roupas de Jimi Hendrix, Jim Morrison (era a sua famosa calça de couro) e Eric Clapton, entre outros, além de rascunhos de letras de música e instrumentos que pertenceram a nomes de peso da música mundial. Não foi o que se pode chamar de uma experiência gastronômica raiz, mas, como roqueira, não poderia deixar de conhecer esses espaços.

Com o tempo, aprendi a dar uma especial atenção à gastronomia em minhas viagens. Algumas das boas memórias que guardo dos lugares que visitei, tanto em viagens de férias como de trabalho, remetem à comida. E alguns poucos traumas também. Por exemplo: trabalhei por muitos anos em um grande jornal e, depois de uma press trip (viagem organizada para um grupo de jornalistas) com destino a Aracaju, peguei ranço de coentro – em todos os restaurantes que visitamos nos serviram pratos com essa erva aromática em excesso.

Em compensação, em outra press trip, desta vez para o Caribe, comi uma refrescante salada de melancia com queijo, rúcula e mel numa praia de Aruba, e conheci o pitoresco El Santísimo, restaurante na cidade de Cartagena, na Colômbia, com um cardápio pra lá de sugestivo que remete aos sete pecados capitais.

Em Montevidéu, no Uruguai, para onde viajei com minha mãe e irmã, aprendi que o prato para uma pessoa sempre serve duas com fartura. Nos cânions de Xingó, em Sergipe, a bordo de um catamarã, comi tucunaré frito pescado “na hora” no Rio São Francisco.

Na Itália, os melhores pratos de macarrão que comi na vida foram preparados por merendeiras da escola fundamental de uma cidade medieval para a qual viajei com um grupo de músicos de Campinas. Essas mesmas cozinheiras, aliás, prepararam um risoto à milanese (foto) maravilhoso em toda a sua simplicidade.

Viajar e experimentar comidas diferentes é ótimo. Faz parte do “pacote” e é altamente recomendável. Mas tenho de confessar que a melhor comida do mundo sempre me espera na volta pra casa. É um prato de arroz com feijão!

Em tempo: em 27 de setembro é celebrado o Dia Mundial do Turismo, data instituída em 1979 pela Organização Mundial do Turismo (OMT). Em 2020, a comemoração tem como tema “Turismo e Desenvolvimento Rural”. O objetivo é valorizar o papel do turismo na preservação do patrimônio cultural e natural em todo o mundo. A gastronomia, principalmente a que reverencia os produtos locais, dos pequenos agricultores, é parte importante disso.

* Lalá Ruiz é jornalista, gosta de vinhos, viagens e boa música. É uma das criadoras do @turismoevinho.com.br no Instagram.

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Categorias: Viagens e passeios

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um comentário em “Dia do Turismo: a viagem fica completa quando se prova a gastronomia local”

  1. Marco Antonio Batista de Oliveira
    27 de setembro de 2020 às 1:02 pm #

    Saboroso este seu texto. As memórias gustativas sempre nos deixam marcados.

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