O retorno glorioso do Gim

Ele já esteve em alta, caiu em desgraça, seguido de um longo período de esquecimento, para retornar com tudo aos copos e taças. Agora brilha em preparações simples ou requintadas nos bares e restaurantes. Trata-se do gim, aguardente de cereais (cevada, trigo, aveia), que passa por processo de infusão com especiarias, ervas e zimbro – uma fruta parecida com a uva, que é a responsável por conferir o aroma e o sabor característicos da bebida.

Por conta do zimbro, que possui propriedades diuréticas e depurativas, o destilado foi criado para ser remédio no século XVII na Holanda. A ideia é que fosse usado como alternativa no tratamento de doenças renais, do estômago e do fígado também. Mas acabou tendo pouco efeito neste sentido e se espalhou pelo mundo, com a ajuda dos ingleses – os responsáveis por criar as melhores formulações – como uma saborosa bebida alcoolica.

Carta de gin tônica é novidade do Lado B

Em Campinas, está presente em cardápios de boa parte dos bares e restaurantes, seja em misturas elaboradas com xaropes artesanais de frutas, infusões e outras bebidas ou na mais conhecida mistura de Gim e tônica. Esse clássico da coquetelaria ganhou até uma carta no Lado B, que acaba de ser lançada. São oito drinks assinados pelo bartender Lemon Diez, profissional que possui 28 anos de experiência no setor no Brasil e no exterior.  “O clássico é preparado igualmente em todo mundo, catalogado pela IBA (Internacional Bar Association), então há um padrão. Se simplesmente misturar suco, xarope e fruta, deixa de ser um Gim Tônica clássico. O que eu fiz foi trazer uma nova experiência por meio de infusões e vaporizações sem mascarar a essência do gim e da tônica”, revela. Todos levam, por exemplo, a vaporização na finalização para acentuar aromas e sabores.

Entre as marcas usadas por ele, um chegou recente ao mercado brasileiro. Nordés é original da Galícia, na Espanha, é produzido com uvas Alvarinho, típicas da região da Galícia e norte de Portugal com a maceração de 11 ingredientes botânicos, galegos e de outras regiões da Europa.

Um pouco mais de história

Entre os anos 1340 e 1700, período em que a Peste Negra matou dois terços da população europeia, as pessoas consumiam tônicos e elixir de zimbro por acharem que preveniam a doença. Por este motivo, chegou a ser incentivado o consumo da bebida feita com a fruta.

Os sobreviventes e suas famílias aos poucos se mudaram para as cidades, que não tinham estrutura de serviços básicos e pouca expectativa de vida. Os salários eram baixos também, mas isso não impediu que a população gastasse parte dele bebendo gim de péssima qualidade. O evento ficou conhecido como “gin crazy”, ou loucura do gim em português, período em que o alcoolismo e a violência nas ruas passaram dos limite. Por este motivo, a bebida foi proibida no século de XVIII.

Um boa fonte de pesquisa sobre o destilado Gin, A Global Story (Reaktion Books, 2012), A História Universal do Gim, no título em português, escrito pela jornalista norte-americana Lesley Jacobs Solmonson. Segundo ela, “Nenhuma outra bebida foi tão difamada como o gim”.

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Categorias: Entre copos, taças e xícaras

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um comentário em “O retorno glorioso do Gim”

  1. Rita Sponchiado
    14 de setembro de 2018 às 4:46 pm #

    Adoro Gim!!

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