A integração de culturas gastronômicas na RMC

A Região Metropolitana de Campinas guarda culturas gastronômicas preciosas vindas do Velho Mundo. São várias as colônias de imigrantes chegados por aqui no século XIX, que colaboraram para o desenvolvimento desta área. Era momento de transição do trabalho escravo para a mão de obra livre, o que cedeu espaço para que diversos povos se estabelecessem na região, mas sem deixar de lado seus costumes, credos e, claro, seus sabores.

Com o decorrer do tempo, as culturas se misturaram e hoje, por vezes, podem até passar despercebidos. Uma das colônias mais conhecidas da região que apresenta essa integração dos hábitos alimentares é Helvetia, comunidade suíça, localizada no limite de Campinas com Indaiatuba.

Por lá são realizadas festas anuais, uma delas ocorreu em 14 de abril, para celebrar os 130 anos de sua fundação. Nestas oportunidades é tradição oferecer aos visitantes pratos típicos do país, caso do Rösti e do Spätzli – massa preparada à base de farinha, ovos e água – com goulasch (molho encorpado feito com carne bovina), repolho roxo e purê de maçã. (foto)

Marcelo Ming, vice-presidente da Sociedade São Nicolau Flüe, revela que embora a comida do dia a dia nas casas dos helvetianos seja essencialmente a brasileira, o toque suíço está presente rotineiramente em sua mesa. “Minha família, por exemplo, incluiu o purê de maçã como uma preparação comum em nossas refeições”, conta.

Presidente da Sociedade São Nicolau Flüe, Marcelo Ming

Em contrapartida, a mandioca, raiz genuinamente brasileira, é hoje um ingrediente importante para complementar pratos servidos nas celebrações dessa colônia suíça, como o schüblig mit Manioka (salsichão vermelho com mandioca).

Essa mistura de culturas gastronômicas também pode ser observada em outra colônia bem próxima dali, no Bairro Friburgo, que fica na zona rural na porção mais ao Sul da cidade de Campinas e foi formado por imigrantes alemães provenientes da região de Schleswig-Holstein.

Segundo a presidente da comunidade, Raquel Rinke Quaiotti, os festejos por ali, que são abertos ao público, servem einsbein (joelho de porco), kassler (bisteca de porco ), salsichão, chucrute e salada de batata. Mas no dia a dia, o que se vê são mesas recheadas de comidas brasileiras.

Ela ressalta, no entanto, que os mais idosos ainda possuem hábitos germânicos. Um deles é o preparo do Kuche, doce cuja massa é feita de farinha de trigo e coberta por uma farofa crocante bem amanteigada, muito comum nas cozinhas das vovós na Alemanha.

Mas engana-se o brasileiro que acha nunca ter provado essa iguaria adocicada. Kuche nada mais é do que a nossa conhecida e apetitosa cuca, aquele bolo que pode trazer banana ou goiabada na composição e faz salivar até os menos doceiros.

Ao que se vê, a miscigenação dos povos tem reflexos positivos também na gastronomia. Se por um lado manter as tradições é fundamental para preservação da cultura de um povo, por outro, o intercâmbio de sabores faz evoluir o paladar, ampliar o conhecimento e despertar para as riquezas gastronômicas de outro lado do mundo. Holambra que o diga!

Texto e fotos: Érika Soares

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Categorias: Cultura gastronômica

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