Por naturalidade e contra a homogeneização do gosto!

alimentosPor Érika Soares

A globalização é um dos importantes fatores na mudança do comportamento alimentar, pois afeta o setor agropecuário, a indústria e a distribuição de alimentos em redes de mercados de grande superfície e em cadeias de lanchonetes e restaurantes. Durante o último século, a diversificação de produtos e a passagem da cozinha tradicional, com a preparação de pratos típicos, para uma cozinha industrial acentuaram o esse processo, o que provocou um desenraizamento da alimentação (1).

Há, no entanto, contraponto para esse cenário de padronização do comportamento das pessoas, porque todo movimento em uma direção imediatamente dá origem a outro que caminha no sentido contrário.

E são inúmeros os movimentos que trabalham contra a homogeneização do gosto que buscam valorizar a cultura gastronômica de cada comunidade, contra o uso de artifícios na cozinha e nos métodos de cultivo buscando o retorno à naturalidade na alimentação.

Entre as iniciativas estão cooperativas de consumo ou incentivo aos chamados “Restaurantes Zero Quilômetro”, aqueles nos quais todos os ingredientes viajaram as menores distâncias possíveis.

Um dos mais conhecidos mundialmente é o Slow Food, que busca a qualidade na alimentação com base em três valores: bom, limpo e justo. O alimento deve ter bom sabor; deve ser cultivado de maneira limpa, sem prejuízos à saúde, ao meio ambiente e aos animais; e os produtores devem receber o que é justo pelo seu trabalho.

“Quando o fast food se tornou universal, a Slow Food encontrou uma razão de ser; quando a globalização homogeneizou o gosto, nasceu a valorização do regionalismo e diversidade; o artificial entra na moda, renasce a escola do natural”, diz Carlos Petrini no livro Slow Food: Princípios da nova gastronomia.

Por sua vez, a culinária orgânica, que é baseada no conceito de alimentos produzidos sem aditivos químicos, de uso racional da água e com métodos agrícolas adequados para que o solo crie sua própria defesa contra pragas, por exemplo, agrega cada vez mais adeptos, pois alia os discursos da sustentabilidade do planeta com o da preocupação com a saúde. Já a escola do natural prega a abolição de elementos estranhos e artificiais em relação ao sistema ambiente/homem/matéria-prima/processamento.

E ainda há a redescoberta da cozinha regional e das tradições gastronômicas. No Brasil especificamente, a valorização da cozinha nacional começou a ser fortalecida a partir do ano 2000 e hoje o país vive um momento de alta autoestima em relação à sua gastronomia. Atualmente, as terras verde-amarelas atraem profissionais estrangeiros do setor, que se encantam com a diversidade gastronômica do país

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1 – GARCIA, Rosa Wanda Diez. Representações sociais da alimentação e saúde e suas repercussões no comportamento alimentar. PHISYS: Revista Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 1997.

2 – PROENÇA, Rossana Pacheco da Costa. Alimentação e globalização: algumas reflexões. Ciência e Cultura. Vol.62, N.º4, São Paulo: Out. de 2010.

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Categorias: Cultura gastronômica

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um comentário em “Por naturalidade e contra a homogeneização do gosto!”

  1. 27 de setembro de 2013 às 5:44 pm #

    E viva slow food

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